ALIMENTOS TRANSGÊNICOS - SOLUÇÃO OU PROBLEMA
INTRODUÇÃO
A "Segunda Revolução Agrícola" foi efetivamente introduzida nos países em desenvolvimento através do pacote tecnológico conhecido como "Revolução Verde". Ocorreu no Brasil, principalmente nas décadas de 60 e 70 e, como requeria altos investimentos durante todas as etapas de produção, acarretou o desequilíbrio social no campo citado anteriormente. Entretanto, a produção de alimentos foi aumentada com o sucesso necessário. Ao mesmo tempo que a agricultura era aperfeiçoada, houve o desenvolvimento das técnicas de estudo do mundo "microscópico", permitindo a decifração da estrutura de células, seus componentes e estruturas, fundamentais para o entendimento do processo de transmissão de caracteres hereditários, conhecida como genética.
DESENVOLVIMENTO
Embora microrganismos fossem utilizados na produção de vinhos e pães desde a mais remota história, foi a descoberta das células em um pedaço de cortiça por Robert Hooke, em 1665, que desencadeou a onda de descobertas e inovações da biotecnologia moderna.
Cerca de 10 anos mais tarde, Anton van Leeuwenhoek construiu um microscópio com capacidade de ampliação de 270 vezes, o que permitiu ver, pela primeira vez, os microrganismos. Apesar disso, foi somente no final do século XIX, especificamente no ano de 1865, que o monge Gregory Mendel conseguiu desvendar os segredos da hereditariedade, criando a genética como uma nova ciência.
Na primeira metade do século XX, diversos trabalhos vieram a elucidar o papel de componentes das células na hereditariedade. Dentre eles, o desenvolvido por Thomas Morgan, que permitiu a coloração diferencial e visualização ao microscópio de estruturas designadas por cromossomos. Mais adiante, concluiu-se que estas estruturas eram portadoras das unidades de hereditariedade, os genes. Em 1944, Oswald Avery identificou o DNA (ácido desoxirribonucléico) como matéria prima que forma os genes. A partir deste ponto, a composição do DNA foi rapidamente elucidada como formada moléculas de açúcar (desoxirribose), fosfatos e quatro bases nitrogenadas denominadas adenina, timina, citosina e guanina. Posteriormente, os cientistas reconheceram essas quatro bases nitrogenadas como sendo o alfabeto do código genético e passaram a denominá-las pelas iniciais A, T, C e G. Em 1953, os trabalhos de James Watson e Francis Crick, na Universidade de Cambridge, revolucionaram a genética ao desvendar a estrutura fina do DNA. Eles propuseram a estrutura de dupla fita helicoidal, explicando assim diversos processos realizados no DNA, como sua transcrição, tradução e duplicação, confirmando a capacidade do DNA de codificar, através das seqüências dos seus nucleotídeos, todas as proteínas. A decifração do código genético foi realizada somente em 1967, quando Har Gobind Khorana e Marshall Niremberg concluíram que o DNA era traduzido pela forma com que os nucleotídeos encontravam-se organizados, dispostos em trincas (posteriormente denominados "códons"). Como existem quatro nucleotídeos, há 64 maneiras diferentes de combiná-los em diferentes trincas. Cada trinca codifica a presença de um aminoácido na proteína formada. Como existem apenas 20 aminoácidos, os 64 códons são mais do que suficientes para codificá-los, o que leva também à segunda conclusão, de que muitos aminoácidos são codificados pela mesma trinca de nucleotídeos.
Os produtos finais na tradução de genes, por meio do código genético, são as proteínas, diferentes entre si pelo tipo, ordem e quantidade de aminoácidos componentes da sua estrutura. Estas, por sua vez, podem ter importância estrutural, como por exemplo, o colágeno e elastina, ou desempenharem funções metabólicas, como hormônios e enzimas. Sendo o código genético universal, isto é, uma mesma seqüência de nucleotídeos resulta na produção da mesma proteína, os engenheiros genéticos podem transferir genes entre diferentes espécies, com o objetivo de transferir características entre os indivíduos. Na tabela 1 podemos ver as diferentes combinações dos nucleotídeos codificando os diferentes aminoácidos. A relação entre nucleotídeos e aminoácidos como anteriormente explicados, é válida tanto para vegetais quanto para os seres humanos.
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