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A Humanização da Assistência de Enfermagem Perante o Aborto

Trabalho por Denise Gomes Chagas, estudante de Enfermagem @ , Em 29/05/2005

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ABORTO


Resumo

O objetivo desse trabalho é esclarecer questões ainda desconhecidas à cerca do aborto, como seu histórico, meios abortivos, legislação do aborto (lei no Brasil e a lei do exercício da enfermagem) e, compartilhar as representações dos enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem quanto à conduta na assistência prestada à mulher que esta em processo de abortamento. Tratando-se de um estudo qualitativo e descritivo que buscou a opinião de 13 profissionais que atuam na área materno-infantil nos hospitais das cidades de Vila Velha e Vitória. Os resultados da pesquisa revelaram que as representações dos profissionais sobre a assistência prestada passaram por uma concepção mais religiosa e mecanizada do que uma concepção de acolhimento e de uma assistência mais humanizada as mulheres. Foram evidentes as dificuldades encontradas pelos profissionais ao responderem as questões sobre o aborto, devido ao tema ainda ser polêmico e por envolver questões moralistas que acabaram por interferir nas respostas dadas. Propomos estratégias de uma nova relação entre as clientes e os profissionais para tornar a assistência de enfermagem perante o aborto mais humanizada.


Introdução

Trata-se de um tema polêmico trazendo sobre si uma discussão concernente do direito individual, quando somos indagados se o aborto é ou não um direito da mulher; a debate jurídico na doutrina penal; aos aspectos desumanos da falência do Estado frente ao gravíssimo problema educacional e hospitalar; além, é claro, aos dogmas religiosos e, até, um debate quase metafísico sobre o início da vida.

A preocupação com o atendimento humanizado das mulheres em processo de abortamento seja ele espontâneo ou provocado torna-se importantíssimo pois nesse momento ela encontra-se em choque, com medo, com culpa, desesperada; desse modo a acolhida é fundamental, pois ela precisa sentir receptividade e solidariedade. É necessário que os profissionais possam ultrapassar limites e concepções pessoais para propiciar a atenção qualificada, o mais isenta possível de preconceitos. A enfermagem desempenha um papel importante nesse cenário,pelas características da profissão pois é esta que acompanha e está envolvida em todo o processo de atenção a saúde da mulher, tornando-se capaz de prover o acolhimento e o cuidado que as mulheres necessitam.

Viemos propor um trabalho para com os profissionais de enfermagem para minimizar ou extinguir os problemas que impedem que o profissional de enfermagem respeite a vida, a dignidade e os direitos da pessoa humana, em todo o seu ciclo vital, sem discriminação de qualquer natureza.


História Do Aborto

Em poucas palavras pode-se dizer o seguinte: o aborto foi sempre muito perigoso, pelo que era raro e, quando se fazia, ou falhava ou matava mãe e filho. O resultado de tudo isto é que o infanticídio acabou por ser preferido ao aborto. A Igreja Católica condenava o aborto - o aborto aparece explicitamente condenado na primeira página de um escrito cristão do século I, o Didaké - mas os seus teólogos e moralistas discutiam diferentes graus de gravidade. Em geral, na Europa e na América, as leis civis seguiam a lei canônica.

Por volta de 1750 encontrou-se uma técnica de aborto que, embora continuasse a matar muitas mães, constituiu um enorme "progresso".  

Na seqüência da descoberta que permitia abortos com, comparativamente, alguma segurança, a rejeição do aborto abrandou e este chegou mesmo a ser legalizado em muitos Estados. E, quer fosse legal quer não, o aborto no século XIX tomou-se uma prática muito vulgar.

Contudo, a legalização teve por base os conhecimentos científicos da época. Grosso modo, pensava-se que cada espermatozóide é um homem que se limita a crescer dentro do útero. Porém, em 1827 Karl Emst Von Boar descreveu pela primeira vez o