Alcoolismo
Os problemas relacionados com o álcool (inclusive morte por intoxicação, crime, acidentes de trânsito e de trabalho) cresceram consideravelmente na maior parte do mundo nas últimas décadas.
Primeiramente, é necessário esclarecer que o alcoolismo não difere psicologicamente da dependência de outras drogas. Assim, tanto as fases como o desenvolvimento emocional do dependente são idênticas, não importando qual a droga de escolha, seja ela o álcool, cocaína, crack, maconha ou qualquer outra droga alteradora de humor.
Neste trabalho, será abordado vários aspectos que são relacionados, direta ou indiretamente, com o assunto alcoolismo onde, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), temos o alcoolismo definido como doença que pode ser detida, mas não curada.
O que entende-se por alcoolismo?
O alcoolismo é tido como um conjunto de problemas relacionados ao consumo excessivo e prolongado do álcool, onde este é definido como uma droga psicoativa que admite, dependendo da dose, da freqüência e das circunstâncias, um uso sem problemas. Desta mesma forma, podemos entender que o alcoolismo nada mais é do que o vício de ingestão excessiva e regular de bebidas alcoólicas, seguida de todas as conseqüências decorrentes. O alcoolismo, portanto, é um conjunto de diagnósticos e, dentro do alcoolismo podemos encontrar: a dependência, a abstinência, o abuso (uso excessivo porém não continuado), intoxicação por álcool (embriaguez), síndromes amnésicas (perdas restritas de memória), síndromes demenciais, síndromes alucinatórias, síndromes delirantes e de humor. Distúrbios de ansiedade, distúrbios sexuais, distúrbios do sono e inespecíficos também são relacionados ao alcoolismo. Por fim, temos o delirium tremens, que pode ser fatal.
Assim, o alcoolismo é um termo genérico que indica algum problema, mas medicamente para se ter uma maior decisão, é necessário apontar quais os distúrbios acima citados que possam estar presentes e caracterizando o alcoolismo.
O Fenômeno da Dependência (Addiction)
O comportamento de repetição obedece a dois mecanismos básicos não patológicos, o reforço positivo e o reforço negativo.
O reforço positivo refere-se ao comportamento de busca do prazer, ou seja, quando algo é agradável a pessoa busca os mesmos estímulos para obter a mesma satisfação. Já em contra partida, o reforço negativo refere-se ao comportamento cujo objetivo é evitar a dor ou desprazer, causados numa dada circunstância.
A fixação de uma pessoa no comportamento de busca do álcool obedece a esses dois mecanismos acima apresentados. No começo, a busca acontece simplesmente pelo prazer que a bebida proporciona. Passado um certo período, esta busca se intensifica, pelo simples fato de que a pessoa não alcança mais o prazer que antes era obtido. Desta forma, a pessoa não consegue mais parar, porque sempre que este prazer procurado não é encontrado, dar-se-á início aos sintomas desagradáveis da abstinência, e para evitá-los a pessoa mantém o uso do álcool de forma contínua.
Os reforços positivos e negativos são mecanismo e recursos naturais que acabam por permitir às pessoas se adaptarem ao seu ambiente.
As medicações hoje em uso atuam sobre essas fases. A naltrexona diminui o prazer dado pelo álcool, inibindo o reforço positivo e o acamprosato diminui o mal estar causado pela abstinência, inibindo o reforço negativo.
Tolerância e Dependência
A tolerância e a dependência ao álcool são dois eventos distintos e indissociáveis. A tolerância é a necessidade de doses cada vez maiores de álcool, para a manutenção do efeito da embriaguez obtido nas primeiras doses. Se no começo uma dose de uísque era suficiente para uma leve sensação de tranqüilidade, depois de, por exemplo, duas semanas, serão necessárias duas doses para que o mesmo efeito antes atingido seja obtido agora.
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