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Âmbito Conceptual da Psicomotricidade

Trabalho por Lirio Levandoski Junior, estudante de Educação Física @ , Em 30/11/2005

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ÂMBITO CONCEPTUAL DA PSICOMOTRICIDADE


A Psicomotricidade (PM) inicialmente encarada como prescrição da medicina psiquiátrica (Dupré 1915), atingiu com H. Wallon (1925, 1934, 1947, etc.) e J. de Ajuriaguerra (1977, 1988, etc.) uma dimensão preventiva, psicoterapêutica, educativa e reeducativa deveras significativa.

A PM compreende, no fundo, uma mediação corporal e expressiva, na qual o reeducador (professor especializado) ou terapeuta estuda e compensa condutas motoras inadequadas e inadaptadas em diversas situações geralmente ligadas a problemas: de comportamento, de desenvolvimento e maturação psicomotora, de aprendizagem e de âmbito psico-afetivo.

A PM considera o movimento humano como uma ação e uma conduta relativas a um sujeito, isto é, uma ação que só pode ser concebida e abordada nos substratos psiconeurológicos que o integram, elaboram, planificam, regulam, controlam e executam.

Trata-se de conceber educativa, reeducativa e terapeuticamente a PM como um processo relacional e inteligível entre a situação e a ação e, entre as gnósias e as praxias. Isto é, a PM subentende uma concepção holística de aprendizagem, que tem por finalidade, associar dinamicamente o ato ao pensamento, o gesto à palavra e o símbolo ao conceito.

Ao contrário das concepções de Educação Física, em PM o fim do movimento (e do não movimento) não está em si próprio, mas naquilo que o origina (motivação), que o justifica (intencionalidade) e que o planifica e controla (funções psíquicas superiores).

Não se trata de privilegiar ou hipotecar o corpo e a motricidade ao "físico", ao "morfofuncional" ou ao "anatomofisiológico", defendendo um paralelismo psicofísico, valorizando segmentos ou músculos de um todo indivisível ou aperfeiçoando a componente biológica do esforço. A Psicomotricidade visa, em contrapartida, privilegiar a qualidade da relação afetiva, a disponibilidade tônica, a segurança gravitacional e o controle postural, a noção do corpo, sua lateralização e direcionalidade e a planificação práxica, enquanto componentes essenciais e globais da aprendizagem e do seu acto mental concomitante. Nelas, o corpo e a motricidade são abordadas como unidade e totalidade do nosso ser.

O seu enfoque é, portanto: psicossomático, psicocognitivo, psiquiátrico, psicanalítico (somato-analítico), psiconeurológicos, psicoterapeutico, etc.

A PM pretende atingir uma organização neuropsicomotora da noção do corpo com marco espaço-temporal do Eu (concebido como unidade psicossomática), fundamental a qualquer processo de aprendizagem, ou seja, busca conhecer o corpo nas suas relações múltiplas: perceptivas, imagéticas e simbólicas, que constituem uma esquemática representacional e uma supervivência singular indispensáveis à integração, à elaboração e à expressão de qualquer ato ou gesto intencional.

A PM não pretende realçar a automatização, a eficácia e a destreza motora, o rendimento motor ou a eficácia motora. Pretende sim, transformar o corpo num instrumento de ação sobre o mundo e num instrumento de relação e expressão com os outros. Corpo vivido e controlado, integrado e orientado no espaço e no tempo, aberto e modificado para o diálogo com os objetos e com o outro, isto é, um corpo conscientizado com propensibilidade à melodia sinestésica onde se reforce a primazia das funções neocorticais e subcorticais. A PM encerra uma concepção global e unitária (não dualista), única (psicologicamente individualizada e diferenciada) e evolutiva (maturacional) do Ser Humano, que não pode ser concebido como um "lugar transitório", nem como uma "mecânica perfeita" à qual se justapõe exteriormente uma vida psíquica. Efetivamente, a organização motora não pode ser separada da organização psíquica, e esta não é dissociável do mundo exterior, da realidade, da situação ou do conjunto de estímulos em presença, isto é, da organização sensorial que lhe é intrinsecamente inerente.

Em PM o psíquico e o motor não são uma conseqüência linear um do outro, são os dois componentes, complementares, solidários e dialéticos, da mesma totalidade sistêmica, encarando o corpo e a motricidade como componentes essenciais