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A Ética no Esporte Contemporâneo

Trabalho por Patrícia Alencar, estudante de Educação Física @ , Em 23/09/2005

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A ÉTICA DO ESPORTE CONTEMPORÂNEO


Introdução

Para se falar de uma Ética Esportiva atual é necessário passar pela própria evolução do esporte moderno, mostrando a construção da ética esportiva ocorrida ainda na segunda metade do século XIX e chegar à percepção de que o Esporte é um direito de todos, o que remete a um conceito ampliado do fenômeno sócio-cultural esportivo.


A Gênese da Ética Esportiva

O Esporte Moderno, construído a partir da década de 1820, com as iniciativas de Thomaz Arnold em Rugby (Inglaterra), logo incorporou o primeiro componente ético que era o Associacionismo, cultivado pelos ingleses em todas as suas manifestações. Logo a seguir, com a restauração do Movimento Olímpico, em 1892, por Pierre de Coubertin, o Esporte recebeu o seu segundo componente ético: o Fair Play.

O Esporte Moderno entrou no século XX na perspectiva do Ideário Olímpico. Além do Associacionismo e do Fair Play, a Carta Olímpica não fazia concessões ao profissionalismo no esporte, o que permite afirmar que este posicionamento inflexível do Movimento Olímpico trazia uma terceira referência para a Ética Esportiva, que era o Amadorismo. Foi com o Associacionismo, o Fair Play e o Amadorismo que o Esporte teve construída a sua Ética. É fundamental acrescentar que o conceito de Esporte vigente nesta Ética construída era o do Esporte de Rendimento.


A Destruição da Ética Esportiva Construída no Século XIX

O uso do Esporte e suas circunstâncias como um palco da Guerra Fria foi o fato marcante da destruição da Ética Esportiva, construída no período histórico do Ideário Olímpico no Esporte. O exemplo de Hitler, tentando tirar os Jogos de Berlim (1936) como um acontecimento a favor de suas teses de supremacia dos arianos, inspirou os Estados Unidos da América e os países socialistas, principalmente a União Soviética a tornar o Esporte apenas como uma manifestação efetiva de superioridade ideológica. Evidentemente que os Jogos Olímpicos despidos dos preceitos éticos, passaram a representar o "locus" ideal para fatos político-ideológicos de ressonância mundial como o dos corredores negros americanos no podium em 1968, o massacre dos atletas israelenses nos Jogos de Munique em 1972 e outras).

Nesta destruição da Ética do Ideário Olímpico, o profissionalismo rapidamente substituiu o Amadorismo, através de formas enganosas. Os socialistas criaram a carreira esportiva, na qual as crianças de talento eram selecionadas e arregimentadas para escolas esportivas, de onde as melhores saíam para as equipes nacionais para as disputas esportivas internacionais. Quando encerravam suas carreiras como atletas, recebiam uma formação pedagógica e voltavam para ser treinadores em suas especialidades. Por outro lado, os Estados Unidos da América criaram o chamado amadorismo marrom, onde os atletas, embora estudantes, recebiam apoio financeiro e adequações nas suas vidas escolares. Na verdade, os atletas já eram profissionais.

Por outro lado, o Associacionismo e o Fair Play foram pouco a pouco destruídos neste período pelo "chauvinismo da vitória" que significava "a vitória a qualquer custo".

O Esporte, criado para reunir as pessoas, chegava ao final dos anos 80 completamente decadente e com um Movimento Olímpico incerto. A criação do "Good Will Games" deixa claro que os dirigentes do esporte mundial já não acreditavam numa paz duradoura.


A Renovação Conceitual do Esporte e a Necessidade de Uma Ética Esportiva

Durante a exacerbação do Esporte Moderno, algumas manifestações importantes de reação surgiram com o Movimento Esporte para Todos, a Sociologia Esportiva e os chamados Documentos dos Organismos Internacionais. O Movimento Esporte para Todos pedia uma democratização da prática esportiva estendendo-a a todas as pessoas. A Sociologia Esportiva surgia reivindicando re-estudos nas dimensões e relações sociais do esporte com trabalhos de José Maria Cagigal,