A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA
As grandes competições esportivas da atualidade constituem indiscutivelmente um fenômeno mundial, e enquanto tal são mais um produto da globalização. Não apenas os tradicionais Jogos Olímpicos e as Copas do Mundo de futebol, mas um conjunto cada vez maior de competições esportivas (mesmo algumas de âmbito jurídico estritamente nacional, como os campeonatos da liga norte-americana de basquetebol, a NBA), atingem atualmente um vastíssimo público telespectador. Em praticamente todas as nações do planeta, centenas de milhões de indivíduos compartilham as imagens e signos desta poderosa e crescente indústria do entretenimento. Segundo Augustin (1995:3), verifica-se a conformação de uma verdadeira malha mundial, dotada de milhares de equipamentos esportivos, que atravessa países, expande-se pelas cidades e pelo campo, e que atua intensamente na cultura e nas representações dos lugares.
Os esportes são, portanto, um componente fundamental da modernidade, e entendemos que é em seu contexto histórico que pode ser melhor compreendido, isto é, como um produto da sociedade industrial capitalista. Nobert Elias (1992:40), um dos maiores estudiosos da expansão do fenômeno esportivo na era moderna, lançou uma indagação fundamental: que espécie de sociedade é esta onde cada vez mais pessoas utilizam parte de seu tempo na assistência ou participação de confrontos regulados de habilidades corporais a que chamamos desporto? E buscou a resposta na macro-estrutura social, no amplo conjunto de transformações morais e comportamentais que denominou "processo civilizacional". Pretendemos assim conceituar e contextualizar os esportes modernos a partir de reflexões que evidenciam seus nexos com a ordem burguesa ascendente: o processo de transição, nos séculos XVIII e XIX, dos jogos tradicionais para estas formas de competição atlética que denominamos esporte. Um breve reprisar da trajetória do corpo e de suas representações no ocidente se faz necessário neste momento.
Mas a educação física está assumindo um novo papel na vida moderna do ser humano, hoje ele se preocupa muito mais com real significado de saúde inserido na realidade da educação física
2 O PAPEL DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA VIDA MODERNA
Segundo o clássico estudo de Johan Huizinga (1996), o elemento lúdico é uma dimensão própria da existência humana, que nos acompanha desde tempos imemoriais, muito antes portanto do advento da chamada civilização. A apropriação deste espírito lúdico e de várias de suas manifestações culturais, por estruturas organizadas com base na competição e na busca da melhor performance, é um processo que se instala mais efetivamente na Europa do final do século XVIII. Neste contexto, é impulsionado pela consolidação de um ideário de valorização da atividade muscular, com vistas ao aprimoramento físico-mental-espiritual do novo Homem, concebido pelos ideais iluministas.
É neste sentido que na segunda metade do século XVIII, torna-se habitual nos colégios ingleses a prática de jogos viris -que freqüentemente exigem maior empenho muscular que propriamente habilidades mais nobres como destreza e equilíbrio-, extraídos e reelaborados pelos jovens a partir de jogos da tradição popular, como o folk football. A elite agora iniciava-se em práticas esportivas diferentes daquelas consideradas próprias da nobreza: a esgrima, a equitação, a caça, o arco, o salto, etc (Dunning & Sheard, 1979:1-3). Tal mudança comportamental se insere no movimento crescente de resgate de valores clássicos que encontram a melhor tradução em mens sana in corpore sano, e constitui a base para a criação dos "esportes modernos".
Este movimento tem raízes remotas. Richard Sennett (1997) assinala a profunda transição do uso do corpo, transcorrida entre o Império Romano e o medievo: da orgia pública pagã às renúncias corporais do espaço cristão. Foi justamente o imperador romano Teodósio no ano de 349, portanto já em plena vigência da hegemonia cristã, que proibiu a continuidade dos Jogos Olímpicos, que então existiam há mais de mil anos. O corpo deveria resignar-se aos
Ferramenta