Atividade Física e Terceira Idade
Brasília-DF, 16 de abril de 2004
1- Introdução
Nos últimos anos, ocorreu um aumento significativo do número e da variedade de iniciativas voltadas para pessoas idosas. Da mesma forma, vêm crescendo em todo o país as discussões em torno das características e direitos desse grupo etário, principalmente em relação à sua qualidade de vida. Mesmo em um país como o Brasil, tradicionalmente identificado como um "país jovem", que dá pouca atenção aos seus idosos, a velhice vem se tornando, de forma particular, uma questão de ordem pública, não mais restrita à esfera privada e da família.
Frente ao Estado e à sociedade, que não podem mais ignorá-lo, o idoso se tornou ator na cena política e social, redefinindo imagens estereotipadas, nas quais a velhice aparece associada à solidão, doença, viuvez, morte, etc. e que enfatizam essa fase da vida como uma condição desfavorável, muitas vezes indesejada. No entanto, vem sendo divulgado pela mídia um número cada vez maior de matérias sobre pessoas idosas que de alguma forma estariam agindo como "não-velhos". São pessoas de idade avançada praticando esportes, dançando e se divertindo, em atividades que demonstram uma vitalidade e uma alegria normalmente identificadas apenas com a juventude. Ao apresentar essas pessoas como exemplos de vitória sobre o tempo, enfatizam a responsabilidade de cada indivíduo perante a forma como envelhece. Tais matérias atribuem a essas pessoas a categoria "terceira idade", enquanto para aquelas que não se comportam da mesma forma, porque não podem ou não querem, restaria o rótulo de "velhos" e toda a carga pejorativa que os acompanham.
Neste trabalho, fica clara a grande importância da Educação Física, englobando nesta atividade toda e qualquer mudança, seja fisiológica, psicológica ou social na vida de um idoso, durante todo o processo de envelhecimento, pois ele traz inúmeros benefícios na vida, quando muitos pensam que a única coisa que lhe resta é a morte. A educação física veio para que tudo isso mudasse.
2-Conceito
A "terceira idade", é uma sensibilidade em relação à velhice que vem se transformando, como reflexo e sintoma da fragilidade encontrada no decorrer da vida. Essa fase da velhice, à qual se opõe a terceira idade, é marcada por um repertório de signos que formam códigos de expressão corporal e de comportamento, através do qual as experiências individuais de envelhecimento podem ser partilhadas e negociadas em um contexto marcado pelo surgimento da velhice e do envelhecimento e por mudanças na forma como indivíduos, ao envelhecer, negociam com imagens estereotipadas da velhice.
A visão de que idade cronológica é fundamental, ou de que velhice seria apenas uma restrição imposta pelo envelhecimento biológico, é relativizada pela noção de "terceira idade" que, ao mesmo tempo, reforça a idéia de que é possível, com esforço individual, avançar na idade sem ficar velho. Se, de certa forma, o corpo informa ao indivíduo os sinais do envelhecimento, essa condição física não esgota a experiência de envelhecer. A velhice se torna "um estado de espírito", evidente no comportamento e na capacidade de os indivíduos sinalizarem através dele a forma como envelhecem; quando se reconhece que ela é o resultado daquilo que o indivíduo fez de seu corpo e vida, numa relação mediada por sua autodeterminação, na qual os fatores sociais são pouco destacados, os fatores biológicos estão, de certa forma, controlados e a dimensão individual coloca em evidência.
3- O idoso e a sociedade
O envelhecimento não é simplesmente um processo físico, mas um estado de ânimo, e atualmente é perceptível o início de uma mudança revolucionária nesse estado de ânimo. A velhice é um período vulnerável. Os idosos correm mais risco que os de qualquer outra faixa etária, com exceção da
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