A Depressão Infantil com Implicações nos Distúrbios da Aprendizagem: Um Estudo Exploratório
Universidade Estadual do Vale do Acaraú
2008
INTRODUÇÃO
Há 40 anos muitos médicos duvidaram da existência de transtornos depressivos em crianças, por que estas eram consideradas como portadoras de “estruturas de personalidades imaturas” e de imaturidade cognitiva tais problemas.
O termo depressão tem sido utilizado de forma genérica e muitas vezes distorcido. Além de a depressão envolver fatores afetivos, apresenta também componentes cognitivos, comportamentais e fisiológicos. Na criança, a literatura sugere também a presença de tais alterações, e o que se percebe é que na infância a depressão normalmente vem associada a outras dificuldades, principalmente, problemas de comportamento e problemas escolares.
A associação entre depressão infantil e rendimento escolar tem sido avaliada por alguns autores. Esses estudos revelam que a incidência de depressão parece aumentar entre as crianças com problemas escolares (Soares, 2003; Wright – Strawderman & Watson, 1992; Stevenson & Romney 1984). A dificuldade da família e dos educadores em reconhecer os sintomas de depressão na criança agrava essa situação, pois muitas vezes, o professor não identifica corretamente esses sintomas em seus alunos e estes acabam não recebendo orientação e tratamento adequado.
Embora as crianças com sintomas depressivos apresentem dificuldades escolares, alguns autores (Colbert e Cols. 1992; Brumaback, Jackoway &Weinberg, 1992), tem observado que essas crianças são capazes intelectualmente. Essa constatação sugere que o baixo rendimento pode ser conseqüência da depressão em função da falta de interesse e motivação da criança em participar de atividades escolares, bem como sua tendência para sentimento de autodesvalorização.
Assim sendo, o presente estudo tem como objetivo avaliar a relação entre sintomas de depressão e rendimento escolar de uma escola pública. Cabe ressaltar que no presente estudo serão investigados os sintomas depressivos isolados.
CAPÍTULO 1: DEPRESSÃO INFANTIL: ESSA DOENÇA QUE QUASE NINGUÉM VÊ.
1.1 Um Pouco da História
Historicamente, os primeiros relatos sobre Transtornos Afetivos ocorreram antes da era cristã, pelos egípcios, sumerianos e filósofos gregos. Contudo, nestes escritos não havia referencias a crianças e adolescentes.
Robert Burton (1691) descreveu casos de crianças melancólicas; descreveu-as como muito tristes, desesperançosas, não vislumbrando prazer em suas vidas. O autor fez referência a problemas familiares e sociais associados. Em 1863, Kalbum descreveu uma forma crônica de melancolia.
A partir desses estudos, vários outros se destacaram. Emil Kraepelin (1921), E. Bleuler (1934), Kasamin (1931), Anthony e Scott (1960), apesar de considerarem rara a ocorrência de transtorno afetivo em crianças, observaram e descreveram alguns casos infantis; observaram também que adultos com quadro de transtorno afetivo, já desenvolviam o quadro quando crianças.
Verztman (1995,) pesquisou a história e descobriu que havia pouco sobre a história do conceito da depressão na psiquiatria; havia apenas referências de quando ainda eram confundidos conceitos de melancolia, dentre outros. O autor fala de como o assunto vem sendo tratado ao longo do tempo e coloca a passagem de Hamilton (1988): “tanto mania quanto depressão era conhecida dos antigos gregos, embora eles tenham usado estas palavras com significados diferentes do uso atual. De acordo com suas teorias, humor, ais de doença, eles nomearam estes estados depressivos de melancolia, significando bile negra”. Segundo Verztman (1995) é muito pouco provável que os antigos gregos usassem o termo depressão, esse vocábulo e seus conceitos aparecem com força nos escritos psiquiátricos da metade do século XIX, depois de Pinel e Esquirol.
Verztman diz que (p. 62): “a palavra depressão implica numa mudança de olhar sobre os antigos melancólicos e produz novas formas de aproximação deste objeto”.
Para Pinel (1976), a melancolia deveria ser incluída no campo das alienações mentais. A fundamental distinção de Pinel era entre a melancolia como idéia fixa, restrita a faculdades psíquicas isoladas, e
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