A DOENÇA DE CHAGAS POR QUE AINDA NÃO FOI ERRADICADA NO BRASIL?
SALVADOR
2005
RESUMO
O objetivo deste trabalho monográfico é o de fazer um estudo sobre o protozoário causador da doença de chagas, abordando suas características e vetores e abrir novas indagações e preocupações, chamando a atenção para as perspectivas da doença e para os riscos de descontinuidade em seu controle. Além disso, pretende-se, ainda, questionar sob a égide de alguns autores a questão social que é um fator preponderante para a erradicação da doença. Trata-se, portanto, de um esforço multidisciplinar, no intuito de promover uma análise do tema à luz de alguns referenciais teóricos de autores como: PRATA, com a sua obra A Abordagem geral do paciente chagásico, 1997; CHAGAS FILHO, Histórico sobre a doença de Chagas, 1968; SILVEIRA & VINHAES, Doença de Chagas: aspectos epidemiológicos e de controle, 1998 e PELICIONI, As Inter-relações entre educação, Saúde e meio ambiente, 2003. É mister salientar que a redução desta doença já é bastante previsível, inclusive podendo-se almejar sua eliminação a médio-longo prazo. A endemia tende a remanescer nas regiões socialmente pobres e na ausência ou insuficiência do controle vetorial. Atenção médica e social será o grande desafio, frente aos milhões de já infectados. A tendência mundial de globalização da economia de mercado penalizará os chagásicos e as populações excluídas que dependem do Estado. A Doença de Chagas progressivamente despertará menos interesse e será difícil manter a necessária vigilância e a pesquisa. Por outro lado, à comunidade científica caberá o papel que Carlos Chagas anteviu e assumiu, ao pugnar intransigentemente pela eliminação da enfermidade e a comprometer-se com a população a ela ainda exposta. Por se tratar de um assunto discutido na prática diária dos protagonistas, o trabalho em questão foi planejado e organizado visando, principalmente, contribuir para o aprofundamento do debate acerca da temática. Além do mais, tem-se a certeza de afirmar que foi relevante e prazerosa a pesquisa acerca deste tema de estudo.
Palavras-chave: Doença de Chagas. Protozoário. Trypanosoma Cruzi
1. INTRODUÇÃO
Cuidar da saúde para viver maior tempo possível e com máxima qualidade de vida é uma das preocupações mais antigas da humanidade. Esse desejo já existia mesmo antes que a ciência conhecesse as causas e os tratamentos da maior parte das doenças, como acontece atualmente.
As pessoas e instituições envolvidas ou preocupadas com a doença de Chagas querem saber quais são o futuro e as perspectivas epidemiológicas e sociais deste agravo que ainda ameaça milhões de latino-americanos. Também desejam e necessitam saber quais são os avanços e necessidades de investigação sobre o manejo clínico de milhões de infectados.
De modo geral, a doença foi descoberta por Carlos Ribeiro Justiniano das Chagas no ano de 1909 e teve ao longo de memoráveis acontecimentos seu conhecimento geral e seu controle desenvolvido e equacionado no mesmo século XX, principalmente por cientistas e pesquisadores das regiões mais afetadas. O desafio intelectual é o da previsão dos cenários e tendências epidemiológicas, de um lado, e do contexto político social da região, de outro, para contestar a pergunta que já Carlos Chagas colocava como prioridade ética aos cientistas e governantes, em 1911: deixando no ar o questionamento, de quanto custará à população para se livrar de vez deste mal?
A partir dos diversos cenários político-sociais vigentes e dos comportamentos assumidos pela Doença de Chagas frente aos intercâmbios e intervenções registrados neste 90 anos, estabelecem-se os desafios e as hipóteses cabíveis. Exemplos e situações paradigmáticas serão discutidos, de modo sumários, a justificar novas indagações. Naturalmente, a partir da própria natureza do tema, se reconhecem as muitas limitações e se espera, a priori, que novas discussões se travem sobre
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