Fazer pesquisa em uma ou mais carreiras específicas:

Administração Agronomia Arquitetura Arquivologia Arte Astronomia Biblioteconomia Biologia
Bioquímica Cinema Ciências Sociais Colegial Comunicação Contabilidade Desenho Industrial Direito
Diversos Economia Educação Física Enfermagem Engenharia Estatística Farmácia Filosofia
Fisioterapia Fonoaudiologia Geografia História Hotelaria Informática Letras Marketing
Medicina Nutrição Odontologia Pedagogia Produção Cultural Psicologia Química Rel. Internacionais
Secretariado Executivo Serviço Social Terapia Ocupacional Turismo Veterinária Zootecnia


Compartilhe

Tag Cloud

O Fusca da Volkswagem

Trabalho por Eder A. Dornelas Junior, estudante de Administração @ , Em 22/04/2003

5

Tamanho da fonte: a- A+

O Fusca da Volkswagen na Alemanha, nos Estados Unidos e no Brasil


No início da década de setenta, tornou-se dolorosamente claro que o "fusca" da Volkswagen estava moribundo na Europa. Permaneceu na liderança do mercado por quase vinte anos. Mas estava tornando-se rapidamente obsoleto na Europa. Todavia, o fusca continuava sendo bem aceito nos Estados Unidos, ainda que as vendas houvessem se estabilizado. E no Brasil, que em 1971 era um mercado tão grande quanto o americano, o fusca ainda estava na sua robusta infância, prevendo-se mais dez anos de crescimento muito acelerado antes de se tornar obsoleto.

A administração da Volkswagen preparara alguns sucessores para o mercado europeu. Mas estava diante de um problema. Precisava de espaço de produção para estes novos modelos. O mais lógico seria utilizara capacidade de produção utilizada na fabricação do fusca. Mas, nesse caso, como o mercado americano seria suprido? Todos os fuscas vendidos nos Estados Unidos eram fabricados na Alemanha.

Havia um outro problema no Brasil. A demanda aumentava, satisfatoriamente, cerca de 10% ao ano. Porém, a única fábrica economicamente possível de ser construída foi projetada para Campinas e a Volkswagen da Alemanha não dispunha de capital necessário.

Havia ainda problemas cambiais no Brasil. A produção de ferro de fundição de alta qualidade era insuficiente para a produção de motores. Os breques e sistemas de direção, que exigem plásticos de alta qualidade, apresentavam problemas similares. Com tudo a companhia tinha na Alemanha gigantescas instalações que não podiam ser facilmente adaptadas à produção de peças para os sucessores do fusca.

Diante de tal panorama, o recém-nomeado presidente da Volkswagen. A Volkswagen da Alemanha suspenderia a produção do fusca, obtendo assim o espaço que precisava para os seus sucessores. A Volkswagen do Brasil a grande fábrica econômica; mas apenas para as carrocerias e montagem dos veículos. Os veículos fabricados no Brasil em excesso da capacidade de absorção do mercado Brasileiro seriam, durante os primeiros anos, vendidos nos Estados Unidos. Todavia, seriam antes enviados a Emden, o proto-alemão no Mar do Norte onde a Volkswagen sempre montara seus carros destinados ao mercado americano, equipados com motores, breques e sistemas de direção, e só então enviados pros Estados Unidos, com um aumento de custos insignificante.

Financeiramente isso significaria que pouquíssimo ou nenhum dinheiro seria necessário para as fábricas alemãs, enquanto que o capital para a expansão brasileira poderia ser obtido usando-se as encomendas americanas previstas como garantia, isto é, através de empréstimos bancários comuns e econômicos.

Os brasileiros ficaram entusiasmados como plano. Mas na Alemanha e nos Estados Unidos foi rechaçado. Os primeiros a objetar foram os sindicatos alemães.

Para os sindicatos alemães transferir a produção do fusca da Alemanha para o Brasil significa exportar empregos alemães.

Os americanos alegaram que um carro "made in Brazil" não teria uma boa aceitação no mercado norte americano.

Os Planos do novo presidente foram arquivados e ele foi demitido. Como resultado, a Volkswagen da Alemanha atrasou-se cinco anos no lançamento dos seus novos modelos, um atraso do qual talvez nunca mais se recupere. Estes novos modelos não puderam ser introduzidos no mercado americano por causa da produção insuficiente.

Quanto a Volkswagen do Brasil, ao invés de explorar sua liderança no mercado automobilístico que mais cresce no mundo, está caminhando a passo de lesma.


Comentários de DRUCKER

Este é um caso sobre a tomada de decisões. O presidente da Volkswagen não analisou quem deveria pôr em prática as decisões e, portanto, relegou os sindicatos cuja reação foi previsível (ainda que míope). É também um caso sobre os negócios multinacionais, nos quais a realidade econômica, exigindo uma integração econômica que atravesse as fronteiras nacionais, choca-se com a realidade política. É um caso sobre as percepções e expectativas dos consumidores. O nome "Volkswagen" não é transferido de um carro alemão para