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Alfabetização e Letramento

Trabalho por Carla Janaina Moreira de Paiva, estudante de Psicologia @ , Em 25/08/2006

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Alfabetização e Letramento


Resumo

Em meados dos anos 80 surge, nas falas de estudiosos brasileiros, a palavra "letramento", que visa diferenciar a alfabetização definida como ação de aprender ou ensinar sujeitos a ler e escrever. O presente artigo aborda a diferença entre alfabetização e letramento e a relevância que o termo tende ganhar no cenário atual, onde a sociedade se apresenta cada vez mais centrada na escrita.

Palavras-chave:

Psicologia; Educação; Alfabetização; Letramento.


Desenvolvimento

O presente texto vem tentar expor e investigar um pouco mais o conceito, as palavras e a importância da alfabetização e do letramento. Quais seus significados, quais suas utilidades, como usar estes conceitos na prática? É importante começar pela própria palavra alfabetização, com a qual já estamos familiarizados, por ser uma palavra há tempos usada no cotidiano brasileiro e se apresentar dicionarizada – ao contrário de letramento, que tem origem bastante recente e, por isso, ainda se encontra fora dos dicionários. Alfabetização (alfabet + izar + sufixo "ação" = ação) significa ação de alfabetizar (alfabet + sufixo "izar" = tornar), que significa tornar "alfabeto". Depara-se aqui com uma curiosidade da língua portuguesa: temos a forma negativa da palavra, ou seja, analfabeto, mas não usamos a forma positiva, alfabeto, para designar seu antônimo. Alfabetização, portanto, é o processo de tornar "alfabeto" ou alfabetizado, que é entendido na língua portuguesa como aquele capaz de ler e escrever. O analfabeto ("a" = sufixo de negação) seria aquele privado do alfabeto (alfa e beta, primeiras letras do alfabeto grego e que equivaleria ao bê-á-bá), incapaz de ler e escrever. Como já foi dito, a palavra letramento é bastante recente; de acordo com Soares (1999), sua primeira aparição data de 1986, por Mary Kato no livro No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística (há registro da palavra há um século atrás, mas com sentido bastante distinto do atual). É interessante perguntar, então, porque criar ou re-criar a palavra letramento neste contexto. Verifica-se que esta criação advém da necessidade do homem de nomear os fenômenos e objetos que aparecem diante dele. Portanto, o que se percebe é que este fenômeno ou é um fenômeno novo ou não se dava conta dele até o momento. A palavra letramento foi buscada do inglês, "literacy", que designa "condição de ser letrado", tendo a palavra letrado outro sentido daquele que vem tendo em português. Letramento, portanto, vem designar o resultado da ação de "letrar-se" (sufixo "ento" = resultado da ação), tornar-se letrado, que indicaria não só a faculdade de ler e escrever, mas a habilidade de responder adequadamente às demandas sociais da leitura e da escrita, fazendo uso freqüente e competente destas habilidades – o que resultaria num envolvimento nas práticas sociais de escrita e leitura, provocando no sujeito uma mudança no seu lugar social, no seu modo de pensar e viver e até mesmo no uso de sua linguagem oral. Segundo Soares (1999), letramento seria a apropriação da escrita, o que significa tornar-se própria, assumi-la como sua propriedade. No Brasil, desde sua colonização tem-se o uso da palavra analfabeto, pois desde este tempo nos deparamos com o fenômeno do analfabetismo; mas só com a gradual mudança deste quadro (com a dita alfabetização) é que um novo fenômeno se evidenciou, mostrando que não basta aprender a ler e escrever, é preciso incorporar estas práticas e saber usá-las numa sociedade cada vez mais grafocêntrica (centrada na escrita).

Verificando as diferenças entre alfabetização e letramento, vê-se que é possível que um sujeito analfabeto, ou seja, que não sabe escrever, seja letrado, uma vez que este conheça as funções da escrita e faça uso da mesma, por exemplo, pedindo a um alfabetizado que leia ou redija uma carta, pergunte o que diz uma bula de remédio, uma placa ou um aviso que encontre em seu