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Resenha Crítica do Livro "Memórias do Carcere"

Trabalho por Eduardo de Araújo Froes, estudante de Letras @ , Em 22/04/2003

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Resenha Crítica do Livro Memórias do Cárcere


RAMOS, Graciliano. Memórias do cárcere. 32ªed.Rio de Janeiro: Record, 1996. Volume I: 378p. Volume II: 319p.

Nascido no Estado das Alagoas em 27 de outubro de 1892, Graciliano Ramos, foi um dos grandes expoentes literários do período modernista. Seu primeiro romance, "Caetés", publicado em 1933 dá início a uma carreira de escritor romancista, muitas vezes, subestimada pelo próprio Graciliano. Neste mesmo ano é nomeado diretor da Instituição pública de Alagoas. Escreveu também "São Bernardo" (1934), "Angústia" (1936), "Vidas Secas" (1938), entre outras. Em 1936 é demitido e preso sob a acusação de ser comunista, fato que transformou completamente sua vida e que serviu de fonte para mais uma obra, "Memórias do Cárcere".

Editado em 1953 em quatro volumes numa edição póstuma, Memórias do Cárcere relata o período em que Graciliano Ramos fica preso. O primeiro capítulo trata de uma justificativa e até mesmo uma explicação para aquela publicação (ou para a resistência em escrevê-la). É percebido as inseguranças e as dificuldades que o autor predispunha, uma vez que, passados dez anos de sua prisão e não conservando relatos escritos e também por envolver nomes de terceiros, tornava-se tarefa não muito fácil. Mas apesar das objeções impostas por ele, mesmo assim, admitia a liberdade que possuía para escrever o romance. (...) Posso andar para a direita e para a esquerda como um vagabundo, deter-me em longas paradas, saltar passagens desprovidas de interesse, passear, correr, voltar a lugares conhecidos. Omitirei acontecimentos essenciais ou mencioná-los-ei de relance, como se os enxergasse pelos vidros pequenos de um binóculo; ampliarei insignificâncias, repetidas até cansar, se isto me parecer conveniente. 

Trabalhando como funcionário público em Maceió e no seu novo romance, fora surpreendido com a notícia de que seria preso. Aquilo mais lhe parecia um grande equívoco, e que passou a tratar com desdém quando uma parente veio informar-lhe que naquela tarde (13 de março de 1936) a polícia o encaminharia para detenção. Talvez não achasse suas idéias tão reacionárias, ou mesmo, ameaçadoras para o regime, o que lhe conferiu uma certa tranqüilidade em relação a sua prisão. Ingenuidade de sua parte ou não, pensava que em uma semana tudo estaria resolvido e esclarecido. Sua antipatia pela burguesia e pelo capitalismo assim como pelo exército era evidente. Após preparar uma pequena valise, prostrou-se a esperar pelo grande momento, que se transformaria no grande inferno de sua vida. Fora levado para o quartel do 20° Batalhão, de onde já estivera em 1930, quando se envolvera numa conspiração com um coronel, um major e um comandante de polícia. Nada lhe informaram. Nenhuma explicação, nenhuma acusação. Depois é conduzido para Recife, ficando preso por algum tempo num quartel general, junto com o Capitão Mata.

Sua perplexidade se revelara pelo fato de não saber exatamente o motivo de sua prisão. A cada lugar que era transferido, nada sabia o que poderia acontecer. Esses períodos de angústia são descritos pelo autor de forma bastante minuciosa. Graciliano, mostra-se bastante descritivo. Os locais, as pessoas, os comportamentos não escaparam aos seus olhos, chegando mesmo a cometer pequenas digressões.

O período em que esteve preso no Recife foi suficiente para fazer grande amizade, Capitão Lobo. Mas sua estadia não seria por muito tempo. Outra vez sem obter explicações é transferido. Apesar de suas minuciosas descrições, ocorre em determinados momentos uma imprecisão temporal e espacial, principalmente quando relata sua transferência para o Rio no porão do navio Manaus, sendo possível ao leitor identificar o local depois de muitas descrições do autor. Talvez uma certa objetividade que é substituída pelo excesso descritivo, tornasse menos disperso a leitura.

Foram momentos de grande provação pelo qual Graciliano e todos os seus companheiros de cárcere vivenciaram naquele porão. As humilhações e