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Linguagem, Escrita e Poder

Trabalho por Vanda Lucia Nunes Cunha, estudante de Administração @ , Em 20/05/2005

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Resumo do Livro " Linguagem, Escrita e Poder"

Macapá-AP, 2004


Linguagem, Poder e Discriminação

A linguagem não se restringe ao ato de transmitir informações, entre tantas funções a mais central é a de dar forma/posição ao falante determinando, assim, o lugar que de fato ocupa ou que acha que ocupa numa sociedade. Pessoas falam para serem ouvidas, respeitadas e também para exercer influência sobre as outras: discursos políticos, sermão de igreja, aulas, etc...

As produções lingüísticas, tem regras apropriadas dos atos de linguagem levando em conta as relações sociais entre o falante e o ouvinte, as regras são: a) a hora certa de falar; b) que tipo de conteúdo lhe é permitido falar; c) que tipo de variedade lingüística é oportuna.

As regras são validas tanto para o falante quanto para o ouvinte, pois numa sociedade é fato que nem todos os integrantes têm o mesmo poder de acesso a produções lingüísticas, cultas ou padrão, considerada "língua", estas associadas tipicamente a conteúdos de prestígio.

A variedade lingüística de uma sociedade vale o que valem seus falantes, este é um reflexo do poder e da autoridade, valendo-se em termos internos numa dada sociedade.

Variedades lingüísticas, quando num contexto externo, determinam poder e são assim firmadas pelo seu grau de associação com a escrita e pelos seus usos. Quando da associação entre uma dada variedade lingüística e a escrita é este o resultado histórico indireto de oposições entre grupos sociais que eram e são usuários das diferentes variedades. Escrever não é e tão pouco será a mesma coisa que falar, Habermas diz que a legitimação de uma norma é o processo de dar idoneidade ou dignidade a uma ordem de natureza política, para que seja reconhecida e aceita. Uma variedade lingüística é extraída de uma determinada tradição cultural, servindo com pontos separadores, a exemplo o código aceito pelo Estado, como oficial há de ser utilizado pelos cidadãos tem que produzi-lo e entendê-lo, são quatro os princípios orientadores da visão de oficialidade da linguagem apontados por M. Bakhtine V. Volóshinov, são eles: a) a imutabilidade, estabilidade da língua; b) as leis da língua são essencialmente leis lingüísticas, estabelecendo ligaçpões entre os signos; c) as ligações lingüísticas nada tem a ver com valore ideológicos; d) os atos individuais de fala constituem, do ponto de vista da língua, simples refrações ou variações fortuitas das formas normativas. O código (língua) é um forte ator de desigualdade, pois muitos cidadãos não têm acesso ou tem em forma reduzida a este código, justificando então a discriminação que sofrem pelo seu jeito de falar; alguns colocam que no Brasil não há diferenças dialetais, entretanto parece que alguns níveis sociais , especialmente os mais altos, têm a tendência à hipercorreção no esforço de alcançar a norma reconhecida, talvez seja por isso que a forma da pronúncia esta relacionada com o nível social do falante e em outras sua origem regional.

Uma perspectiva histórica

Na Idade Média a associação entre a variedade lingüística e o poder da escrita, foi uma operação que respondeu a exigências políticas e culturais. Inicialmente passou-se por um processo de adequação lexical e sintático, tendo como modelo o latim, tal tarefa não foi das mais simples, a segunda etapa foi no processo de fixação de uma norma constituída pela associação da variedade já estabelecida como língua escrita com a tradição gramatical greco-latina. O pensamento lingüístico grego apontou o caminho da elaboração ideológica de legitimação de uma variedade lingüística de prestígio. Platão com uma visão quase mítica foi um originário escolhedor de nomes apropriados aos objetos. Já com o começo da expansão colonial ibérica, na segunda metade do séc. XV, os moldes gramaticais greco-latinos foram utilizados