Fazer pesquisa em uma ou mais carreiras específicas:

Administração Agronomia Arquitetura Arquivologia Arte Astronomia Biblioteconomia Biologia
Bioquímica Cinema Ciências Sociais Colegial Comunicação Contabilidade Desenho Industrial Direito
Diversos Economia Educação Física Enfermagem Engenharia Estatística Farmácia Filosofia
Fisioterapia Fonoaudiologia Geografia História Hotelaria Informática Letras Marketing
Medicina Nutrição Odontologia Pedagogia Produção Cultural Psicologia Química Rel. Internacionais
Secretariado Executivo Serviço Social Terapia Ocupacional Turismo Veterinária Zootecnia


Compartilhe

Tag Cloud

A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo

Trabalho por Priscilla Ferreira Junqueira, estudante de Comunicação @ , Em 22/04/2003

5

Tamanho da fonte: a- A+

A ÉTICA PROTESTANTE E O ESPÍRITO DO CAPITALISMO


CAPÍTULO II

Se puder ser encontrado algum objeto ao qual este termo possa ser aplicado com algum significado compreensível, ele apenas poderá ser uma individualidade histórica, isto é um complexo de elementos associados na realidade histórica, que unimos em um todo conceptual do ponto de vista de um significado espiritual.

Devemos desenvolver no curso da discussão, como seu resultado mais importante, a melhor formulação conceptual do que entendemos aqui por espírito do capitalismo, isto é a melhor do ponto de vista que aqui nos interessa. Este ponto de vista não é , de modo algum, o único possível a partir do qual o fenômeno histórico que estamos investigando possa ser analisado. Resulta disso não ser necessário entender por espírito do capitalismo somente aquilo que ele virá a significar para nós, para os propósitos da análise.

É Benjamin Franklin quem nos prega nestas sentenças, o que Ferdinand Kürnberger satiriza em sua arguta e maliciosa Retrato da Cultura Americana. Ninguém duvidará que é o "espírito do capitalismo"que aqui se expressa de forma característica, muito embora esteja longe de nós o desejo de afirmar que tudo que possa ser entendido como pertinente a este "espírito"esteja nele contido.

Todas as atitudes de Franklin são coloridas pelo utilitarismo. A honestidade é útil porque assegura o crédito; do mesmo modo a pontualidade, a laboriosidade, a frugalidade, e é esta a razão pela qual são virtudes.

De fato, o summum bonum desta "ética", a obtenção de mais e mais dinheiro, combinado com o estrito afastamento de todo o gozo espontâneo da vida é, a cima de tudo, completamente destruído de qualquer caráter eudemonista ou mesmo hedonista, pois é pensado tão puramente como uma finalidade em si, que chega a parecer algo de superior à "felicidade" ou "utilidade" do indivíduo, de qualquer forma algo de totalmente transcedental e simplesmente irracional. O homem é dominado pela produção de dinheiro, pela aquisição encarada como finalidade última de sua vida.

O capitalismo, atualmente guiando a liderança da vida econômica de que necessita, pela seleção econômica dos mais aptos – escolhe os empreendimentos e trabalhadores de que tiver necessidade.

O espírito do capitalismo teve de lutar por sua supremacia contra todo um mundo de forças hostis. Um estado mental como um expresso nas passagens que citamos de Franklin e que receberam o aplauso de todo um povo, teria sido proscrito como o mais baixo tipo de avareza e como uma atitude inteiramente desprovida de auto-respeito, tanto na Antiguidade como na Idade Média.

Se o capitalismo não pode, como aprendemos de Franklin, utilizar-se de homens de negócio que pareçam absolutamente inescrupulosos em suas relações com outrem, menos ainda pode fazer uso do trabalho daqueles que praticam do liberum arbitrium indisciplinado. Assim, a diferença não repousa no grau de desenvolvimento de qualquer impulso de ganhar dinheiro.

O oponente mais importante o qual o "espírito" do capitalismo teve de lutar, foi esse tipo de atitudes e reação às novas situações, que podemos designar como tradicionalismo. Um dos meios técnicos usados pelo empreendedor moderno afim de assegurar a maior quantidade possível de trabalho por parte de "seus" homens é o pagamento por tarefa. Assim, o sistema de pagamento por unidades de produção é quase universal neste caso.

O homem não deseja "por natureza" ganhar cada vez mais dinheiro, mas simplesmente viver como estava acostumado a viver, e ganhar o necessário para este fim. O capitalismo moderno, onde quer que tenha começado sua ação de incrementar a produtividade do trabalho humano através do incremento de sua intensidade, tem encontrado infinitamente obstinada resistência deste traço orientador do trabalho