Fazer pesquisa em uma ou mais carreiras específicas:

Administração Agronomia Arquitetura Arquivologia Arte Astronomia Biblioteconomia Biologia
Bioquímica Cinema Ciências Sociais Colegial Comunicação Contabilidade Desenho Industrial Direito
Diversos Economia Educação Física Enfermagem Engenharia Estatística Farmácia Filosofia
Fisioterapia Fonoaudiologia Geografia História Hotelaria Informática Letras Marketing
Medicina Nutrição Odontologia Pedagogia Produção Cultural Psicologia Química Rel. Internacionais
Secretariado Executivo Serviço Social Terapia Ocupacional Turismo Veterinária Zootecnia


Compartilhe

Tag Cloud

Redação e Textualidade

Trabalho por Rita de Cassia Barbosa Albertoni, estudante de Administração @ , Em 24/11/2004

5

Tamanho da fonte: a- A+

Redação e Textualidade


A obra Redação e Textualidade, autoria de Maria das Graças Costa Val, consta de 132 páginas, 2ª edição da Editora Martins Fontes e tem como o ponto de referência a Lingüística Textual.

Desenvolvida na Europa nos anos 60, a Lingüística Textual estuda os princípios da textualidade ("o conjunto de características que fazem de um texto um texto) e" os fatores de sua produção e recepção.A autora dividiu a obra em duas partes, dedicando a primeira aos pressupostos teóricos e a segunda à análise de seu corpus, constituída por redações de vestibulandos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Para Costa Val, a coerência e a coesão são os fatores fundamentais da textualidade, porque são responsáveis pelo sentido do texto.Este sentido é construído tanto por quem produz o texto como por aquele que o recebe, isso no que diz respeita à coerência textual. Responsável pela unidade formal do texto, é construída por mecanismos gramaticais e lexicais. A coerência diz respeito ao nexo entre os conceitos; coerência é a lógica entre as idéias expostas em um texto. Para se manter coerente, basta saber que a idéia apresentada deve se relacionar ao todo textual, com a seqüência das demais idéias, com a progressão dos argumentos e afirmativas que vêm a ser explicadas.  A coesão relaciona-se às peças que interligam o texto, como conjunções, preposições e pronomes é a organização entre os elementos que articulam as idéias de um texto. Além da coesão e da coerência, a autora ainda elegeu a informatividade, que é a capacidade que o texto tem de acrescentar ao conhecimento do receptor informações novas e inesperadas.

Encerrando a primeira parte do livro, vamos anotar a posição da Autora face à subjetividade na avaliação: "A mim parece que a Natureza do texto é melhor compreendida se abre mão do rigor e da exatidão tecnicista e se dá espaço para a intuição e o bom senso".Se tomarmos essa fala sob o critério da sinceridade de Grice, inferimos que a autora não mascara seu discurso com a mítica neutralidade científica, com aquela falsa impessoalidade do texto técnico. Aliás, essa idéia de Costa Val está longe de ser pouca coisa, porquanto é tempo de admitir, com critério, intuição e bom senso na investigação sistemática: esses elementos são intrínsecos ao sujeito, indestacáveis dele. E a ciência é inalienável do sujeito que a constrói.

Na segunda parte do trabalho a autora se detém em suas condições de produção. Ela informa que, sob o tema "Violência social", os textos foram produzidos no Vestibular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em janeiro de l983. Ao tocar no contexto imediato do aluno - o Vestibular -, a autora acerta ao dizer que o exame é uma espécie de porta da felicidade, através do qual o adolescente se desloca para a categoria de adulto, rumo ao sucesso profissional e financeiro. A autora leu cem redações, e de um "breve" estudo quantitativo sugere um cuidado maior com o aspecto formal da redação. Não é para menos: 43% dos textos apresentam casos de contradição léxico-semântica; 36% problemas no uso de mecanismos de articulação, e 32% exibem ambigüidade e erros de concordância.São incorreções sobre incorreções que fornecem um quadro de como um aluno egresso do Segundo Grau não está preparado para escrever com aceitáveis coesão e coerência. A parte boa é que a autora abre um item para as redações com "bom" padrão de textualidade.Uma dessas redações apresenta uma curiosidade: apenas dois parágrafos, sugerindo, segundo a autora, que "a paragrafação de acordo com o modelo usual não é condição necessária nem suficiente" para uma boa dissertação.Certinhas e arrumadinhas, mas desinteressantes e inconsistentes, as redações são o fruto das condições de produção a que têm de se submeter os candidatos