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A Era da Guerra Total.

Trabalho por Geraldo Marcio, estudante de História @ , Em 12/11/2004

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A Era da Guerra Total

Barbacena

Outubro de 2004


RESENHA

Hobsbawm, Eric – ERA DOS EXTREMOS, Primeiro capitulo – A Era da Guerra Total. Editora Companhia das Letras, 1995.

O capítulo 1 do livro de Hobsbawm, A Era da Guerra Total, no qual ele analisa as duas grandes guerras mundiais, é fundamental para compreendermos o pensamento do autor no que se refere às causas e as conseqüências dos massacres do século XX.

Ao longo deste capítulo nota que Hobsbawm procura explicar o aumento da dimensão dos massacres no século XX a partir da disseminação de uma cultura da violência e do desprezo à vida dos outros seres humanos, essa cultura teria sido gerada antes de tudo pela Primeira Guerra Mundial, a qual teria acostumado a população européia, por um lado, a ser indiferente aos imensos banhos de sangue e, por outro, a ser tão firmemente pacifista que não se dispunha a enfrentar atentados violentos à própria civilidade, e criou uma massa de veteranos de guerra prontos para guiar os seus povos a renovados atentados. Uma das principais causas da reprodução desse "imaginário" da indiferença e da brutalidade foi a invenção de meios de matar, como o bombardeiro e o rifle de longo alcance, os aviões os quais facilitariam a aceitação da violência a partir de desenvolverem a impessoalidade na guerra. Além disso também contribuiu muito o caráter "popular" dessas guerras, que obrigou os líderes políticos a mobilizarem a massa através da denominação dos seus inimigos.

Assim, por exemplo, o autor explica a amplitude e radicalidade da Grande Guerra – que desencadearia toda a "cultura da brutalidade" – pelo fato de que os interesses econômicos e políticos das grandes potências imperialistas eram radicalmente excludentes. É interessante sublinhar que, nessa tentativa de explicar o o inicio da Grande Guerra e, consequentemente, da queda do grau de civilidade no século XX, a "economia" e a "política" aparecem fundidas numa identidade completa – "Na Era Imperialista a política e a economia se haviam fundido. Isso fica novamente patente quando o autor procura explicar as principais causas da Segunda Guerra: pudesse ter sido evitada, ou pelo menos adiada se houvesse restaurado a economia pré-guerra como um sistema global de prósperos crescimento e expansão econômicos. Contudo, após uns poucos anos, em meados da década de 1920, nos quais se pareceu ter deixado para trás a guerra e perturbação pós-guerra, a economia mundial mergulhou na mais drástica crise que conheceu desde a Revolução Industrial. E isso levou ao poder, na Alemanha e no Japão as forças políticas do militarismo e da extrema direita".

A "causa primeira" do aparecimento da "cultura da brutalidade" teria sido, para o autor, a Primeira Guerra Mundial, e esse acontecimento teria sido determinado por um contexto geo-histórico que contrapôs de maneira radical os interesses políticos e econômicos das grandes potências européias. Ou seja, para Hobsbawn, no início de todo processo esteve presente interesses econômicos e políticos muito objetivos, mesmo igualando o complexo da economia ao complexo da política como esfera predominante, isto é, mesmo fundindo relações econômicas e relações políticas num mesmo todo indiferenciado, o historiador parte do que com alguma boa vontade poderíamos chamar de "plano da objetividade".

Porém, se esse "plano da objetividade" produz o movimento subjetivo "ampliação da cultura da brutalidade", esse mesmo "plano da objetividade" não está presente, segundo o texto do autor, na "reprodução" do referido movimento subjetivo. O complexo da cultura se autonomiza e passa a se autoalimentar e reproduzir, apartando-se completamente de seu produtor "plano da objetividade". A autonomia absoluta da cultura não fica ainda mais patente porque o autor faz o "plano da objetividade" intervir mais uma vez através de mais outro acontecimento econômico-político: a Segunda Guerra Mundial. Com