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Raízes do Brasil: O Homem Cordial

Trabalho por Alessandra Cristina Lopes Ramos, estudante de Comunicação @ , Em 16/10/2004

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Raízes do Brasil - O Homem Cordial


Mas, buscando entrar na discussão mais diretamente, onde está o cerne da noção de homem cordial? Sérgio Buarque afirma de antemão, buscando evitar más compreensões: a referida "cordialidade" não se trata, necessariamente, de um referência direta ao significado literal da expressão. Na realidade, ao referir-se à cordialidade, Sérgio Buarque busca enfatizar uma característica marcante do modo de ser do brasileiro, segundo sua lupa: a dificuldade de cumprir os ritos sociais que sejam rigidamente formais e não pessoais e afetivos e de separar, a partir de uma racionalização destes espaços, o público e o privado. Mais do que uma espécie de indivíduo, a cordialidade perpassa, em maior ou menor escala, a todos os atores sociais no Brasil.

Consiste, então, a cordialidade dos gestos largos, deste espírito aparentemente folgazão, que têm como marca o uso exagerado dos diminutivos, visando, justamente, a quebra da formalidade da relação que deve estar se estabelecendo, para que esta passe a se tornar uma relação de "amigos", para que passe a imperar a máxima, dito popular que se torna regra de conduta e ‘verdade’ sociológica.

Tal forma de identidade faz com que Sérgio veja este indivíduo como uma figura diluída na massa. Quer dizer, a ambivalência do ‘amor ao próximo’, na medida em que ele nada mais seria, em princípio, do que a forma socialmente aceitável para que o "eu" pudesse se manifestar.

O homem cordial pode ser visto como um tipo ideal weberiano: ele seria o precipitado de uma formação social caracterizada pela onipresença da esfera privada, logo, pelo primado das relações pessoais. Ora, a cordialidade não deve ser compreendida como uma característica essencialmente brasileira, mas antes como um traço estrutural de sociedades cujo espaço público enfrenta dificuldades para afirmar sua autonomia em relação à esfera privada.