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Análise do Filme O Advogado do Diabo

Trabalho por Sol Márcio Antônio Pinheiro, estudante de Direito @ , Em 04/09/2004

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Análise do Filme O Advogado do Diabo com Destaque para o Livre Arbítrio


Dirigido por Taylor Hackford em 1997, o filme relata a história de um excelente advogado, interpretado por Keanu Reeves, que consegue uma grande ascensão em sua carreira edificando-a em ganhos de causas que contrariam a moral, pois apresenta um grande vício em ganhar, vencer sempre, sem preocupações pela legitimidade ou pela justiça. Mente conscientemente por desejo de poder e glória. Entre a verdade e a glória mundana, opta por esta.

Enquanto a trama se desenrola, Reeves vai se tornando cada vez mais íntimo do chefe da empresa em que trabalha, e este, Al Pacino, vai tecendo uma teia em que Reeves se enreda sem nem perceber. Ele vai dando lições a respeito da vida em Nova Iorque, sobre a moral dos advogados e sobre o modo de agir.

Através de um intrincado jogo de descobertas, o filme vai aos poucos nos revelando a verdadeira identidade de Pacino: tratava-se, de fato, do Diabo.

No decorrer de todo o filme fica marcada a presença do livre arbítrio. As escolhas são dadas exatamente assim: como opção. No embate final, Reeves diz a Pacino que este o manipulou. Ele responde: "eu não manipulo ninguém. Eu só crio as oportunidades". Cria as oportunidades e permite que a vontade individual aja. Com efeito, só podemos errar porque somos livres – livres para escolher entre fazer a vontade do outro ou seguir a nossa própria. Nossas vontades, sem as quais não seríamos responsáveis pelas conseqüências de nossos atos. Veja-se, por exemplo, a cena em que uma das servas do diabo vira-se para Reeves e diz: "você tem muita culpa e dor nesses olhos. Ele vai tirar a culpa de você". Se ele fosse totalmente manipulado e perdesse o direito ao livre arbítrio não teria mais culpa, pois não seria responsável pelo que lhe ocorresse ou pelo que fizesse.

No epílogo, Reeves consegue fugir do diabo ao se matar e lhe é dada uma segunda chance: o tempo volta ao julgamento inicial, onde pela primeira vez ele decidiu conscientemente pelo mal. Mais uma vez ele pode escolher se vai contribuir para a absolvição de um estuprador ou não. Ele opta por não ajudá-lo. Larga o caso no meio do julgamento. Ao sair, é seguido por um repórter, que tenta convencê-lo a contar a história para a imprensa. "Um advogado com crise de consciência! Essa história é fantástica! Você vai ficar famoso". Ele hesita. Sua esposa o incentiva. Ele aceita. À medida que Reeves e sua esposa vão se distanciando da cena, o jornalista fica sozinho e seu rosto vai se transformando no de Pacino: "A vaidade é meu pecado favorito".

A liberdade interna é o livre arbítrio, como simples manifestação da vontade no mundo interior do homem, por isso é chamada igualmente de liberdade de querer. Significa que a decisão entre duas possibilidades opostas pertence, exclusivamente, à vontade do indivíduo; vale dizer, é o poder de escolha, de opção, entre fins contrários. Só é possível, quando se tem conhecimento objetivo e correto de ambas. A questão fundamental, contudo, é saber se, feita a escolha, é possível determinar-se, em função dela. Isto é, se se têm condições objetivas para atuar no sentido da escolha feita, e, aí, se põe à questão da liberdade externa.