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Dom Quixote - Principais Personagens

Trabalho por Zedequias Trajano de Oliveira, estudante de Letras @ , Em 31/05/2004

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ANÁLISE DAS PERSONAGENS DO LIVRO DOM QUIXOTE DE LA MANCHA


1. Dom Quixote (Quijana):

1.1. Quanto ao papel desempenhado no enredo, sem dúvida alguma, Dom Quixote é o protagonista da narrativa, qualificado por nós como anti-herói, por não apresentar nenhuma característica ou qualidade que o destacasse das demais personagens do enredo. Senão, vejamos:

Num lugar de La Mancha, de cujo nome não quero lembrar-me, vivia, não há muito, um fidalgo, dos de lança em cabido, adarga antiga, rocim fraco e galgo corredor. (...) Orçava na idade o nosso fidalgo pelos cinqüenta anos. Era rijo de compleição, seco de carnes, enxuto de rosto, madrugador, e amigo da caça. Querem dizer que tinha o sobrenome de Quijada ou Quesada, que nisto discrepam algum tanto os autores que tratam na matéria; ainda que por conjeturas verossímeis se deixa entenderr que se chama Quijana. (...)

É pois de saber que este fidalgo, nos intervalos que tinha de ócio (que eram os mais do ano), se dava a ler livros de cavalarias, com tanta afeição e gosto, qu se esqueceu quase de todo do exercício da caça, e até da administração dos seus bens; e a tanto chegou a sua curiosidade e desatino neste ponto, que vendeu muitos trechos de terra de semeadura para comprar livros de cavlaria que ler, com o que juntou em casa quantos pôde apanhar daquele gênero. (...).

(Editora Nova Cultura, São Paulo, 2003,Cap. I, p.31.)

1.2. Quanto à sua caracterização, que por sinal é direta (heterocaracterização), ou seja, geralmente é dada na narrativa pelo narrador, concluímos que Dom Quixote representa uma personagem plana com pretensão à esférica (redonda). Isso porque Dom Quixote nos surpreende a princípio ao passar da dimensão lógica e real para uma dimensão fantasiosa e ilógica, logo no primeiro capítulo. A partir desta metamorfose Quixote apresenta sempre as mesmas reações diante das situações e pessoas nelas apresentadas: leva-os sempre para o plano da fantasia.

a) características físicas:

(...) Orçava na idade o nosso fidalgo pelos cinqüenta anos. Era rijo de compleição, seco de carnes, enxuto de rosto, madrugador e amigo da caça. (...)

(Idem)

b) características sociais:

Num lugar de La Mancha, de cujo nome não quero lembrar-me, vivia, não há muito, um fidalgo, dos de lança em cabido, adarga antiga, rocim fraco, e galgo corredor. Passadio, olha seu tanto mais de vaca do que de carneiro, as mais das ceias restos da carne picados com sua cebola e vinagre, aos sábados outros sobejos ainda somenos, lentilhas às sextas-feiras, algum pombito de crescença aos domingos, consumiam três quartos do seu haver. O remanescente, levavam-no saio de velarte, calças de veludo para as festas, com seus patufos do mesmo; e para os dias da semana o seu vellori do mais fino. Tinha em casa uma ama que passava dos quarenta, uma sobrinha que não chegava aos vinte, e um moço da poisada e de porta afora, tanto para o trato do rocim, como para o da fazenda. (...) (O grifo na palavra fidalgo é nosso).

(Idem)

c) Características psicológicas:

(...) Em suma, tanto naquelas leituras se enfrascou, que passava as noites de claro em claro e os dias de escuro em escuro, e assim, do pouco dormir e do muito ler, se lhe secou o cérebro, de tal maneira que chegou a perder o juízo. Encheu-se-lhe a fantasia de tudo que achava nos livros, assim de encantamentos, como pendências, batalhas, desafios, feridas, requebros, amores, tormentas, e disparates impossíveis. E assentou-se-lhe de tal modo na imaginação ser verdade toda aquela máquina de sonhadas invenções que lia, que para ele não havia história mais certa no mundo. (...).

(Idem, p. 32)

d) Característica ideológicas:

(...) Esta noite na capela deste vosso castelo velarei as armas, e amanhã, como digo, se cumprir[a o que tanto desejo,