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A Fábula das Três Raças

Trabalho por Valmont Rosa Silva Santos, estudante de Ciências Sociais @ , Em 22/04/2003

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A FÁBULA DAS TRÊS RAÇAS OU O PROBLEMA DO RACISMO À BRASILEIRA

UMA INTRODUÇÃO À ANTROPOLOGIA SOCIAL

DE ROBERTO DA MATTA

Professor de Antropologia Social do Museu Nacional – UFRJ

Uma perspectiva antropológica brasileira

ROTEIRO PARA SEMINÁRIO BASEADO NO LIVRO

 

INTRODUÇÃO

Propostas do autor:

PRIMEIRA: Roberto da Matta, em sua digressão no livro Uma Introdução à Antropologia Social, pretende demonstrar como a perspectiva sociológica encontra resistências no cenário social brasileiro. Segundo o seu ponto de vista, a perspectiva sociológica tem sido sistematicamente relegada a um plano secundário, dado que são as DOUTRINAS DETERMINISTAS que sempre lhe tomam a frente.

SEGUNDA: Apresentar o "racismo à brasileira" como prova da dificuldade de pensar socialmente o Brasil e como tentativa de especular sobre as razões que motivam as relações profundas entre credos científicos supostamente eruditos e divorciados da realidade social e as ideologias vasadas na experiência concreta do dia-a-dia.

Podemos perceber alguns aspectos ideológicos no discurso do autor:

  • assume uma postura radicalmente contrária ao "racismo"; e
  • é adepto da "antropologia da libertação" (pág. 62), buscando a compreensão da "substância" acima da "forma" das relações sócio-econômicas (final da pág. 61), isto é, em perceber o "éter" das relações sociais (cf. Marx); considera os intelectuais (antropólogos) como atores sociais transformadores (início da pág. 62).

O QUE SÃO DOUTRINAS DETERMINISTAS?

São complexos teórico-ideológicos supostamente eruditos, fundamentados em fatores sempre superiores ao domínio da vontade e dos desejos dos indivíduos ou grupos sociais, que florescem tanto no campo erudito, quanto no campo popular e que totalizam e determinam inexoravelmente o comportamento social, político e cultural de uma sociedade. O efeito imediato dessas doutrinas é o de suprimir qualquer discussão da realidade enquanto fato social e histórico específico e impedir qualquer tentativa de transformação. Em geral, tais doutrinas são difundidas e utilizadas como suporte ideológico pseudocientífico para justificar e estabilizar sistemas de dominação social, política e econômica.

São exemplos de doutrinas deterministas:

  • O racismo contido na "fábula das três raças" – fundamentado em "determinações biológicas"
  • Teorias positivistas de Augusto Comte – pressupostos evolucionistas.
  • O marxismo vulgar como moldura pela qual se pode orientar em grande parte a vida social, política e cultural do País – fundamentos políticos e sócio-econômicos distorcidos.
  • A moderna definição abrangente do "econômico" e das "forças produtivas" – fundamentada em "determinações econômicas" a priori.


PRECONCEITOS ANTROPOLÓGICOS DOS BRASILEIROS

(Levantar junto aos assistentes qual a idéia que cada um tinha da Antropologia antes de iniciar o curso.)

É sempre menor do que supomos a famosa distância que deve separar as teorias eruditas (ou científicas) da ideologia e valores difundidos pelo corpo social, idéias que formam o que podemos denominar "ideologia abrangente" porque estão disseminadas por todas as camadas, permeando os seus espaços sociais.

O termo "antropólogo" é desconhecido para a grande maioria dos brasileiros. Aqueles que têm uma vaga noção da palavra supõem ser a antropologia uma atividade misteriosa envolvendo ossos, crânios, túmulos e fósseis ou idealizam o antropólogo como um herói aventureiro (Indiana Jones). Estes, com base em conceitos da escola primária, freqüentemente indagam a respeito das "raças formadoras do Brasil" e da confirmação científica da "preguiça do índio", da "melancolia do negro" e da "cupidez" e estupidez do branco lusitano, degredado e degradado. Segundo essa visão tão errônea quanto popular, tais seriam os fatores responsáveis pelo nosso atraso econômico-social, por nossa indigência cultural e da nossa necessidade de autoritarismo político, fator corretivo básico deste universo social que, entregue a si mesmo, só poderia degenerar-se. Isto reproduz exatamente o pensamento racista do famoso Conde de Gobineau (A Diversidade Moral e Intelectual das Raças, 1856).

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